sábado, 12 de novembro de 2016

Gratidão, sempre

São oito da manhã de um sábado fresquinho. Lá fora os campos estão cobertos de geada a fazer um fino manto branco. Cá dentro cheira a café da avó e a máquina dos sumos trabalha num sumo de laranja bem fresquinho. Na cozinha, só nós a ouvir Alcione e a embalarmos esta família insana da qual temos tanto orgulho de ter construído (talvez os psicanalistas não achem o mesmo). O João dorme o sono dos adolescentes, que é como quem diz, imperturbável até para os lados do meio-dia. A Madalena debate-se com o trainer pré-ortondontico (numa tentativa de alinhar uma má formação esquelética do maxilar) que a impede de falar duas horas por dia (soubéssemos nós disto há mais tempo, senhores...). As cadelas ainda dormem lá fora apesar do churrilho de foguetes (esta gente das aldeias é dada à pirotecnia) e o Limão já roubou um ténis da Madalena e fez xixi e cocó no tapete da sala. Estamos em modo namoro e de quando em vez somos interrompidos por um grito "olhó Limãoooooo!!!" que ultimamente mais parece um croquete de bosta, tal é a quantidade de porcaria que faz (literalmente). Faz frio lá fora, mas cá dentro está um quentinho aconchegante (à custa do aquecimento que isto do calor humano é bom mas não serve quando lá fora estão 4ºC). Cheira a lareira, a velas de maçã verde e a torradas... tudo parece crepitar. Gratidão, muita gratidão por esta vida campestre que tão bem nós faz!

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