sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A vida que nos põe à prova

Durante este processo de amadurecimento (porventura achavam que ia dizer envelhecimento?) e de crescimento individual, depressa percebi uma coisa: tudo aquilo que tu mais temes e mais consideras como obstáculo é precisamente isso que te é colocado no caminho para ultrapassares. Comigo tem sido assim, sempre que meto na cabeça que perante dada situação iria bloquear, sou posta à prova. 
É claro que existem medos universais que espero que a vida só mos coloque à frente daqui a muito tempo. Mas cada vez acredito mais nesta coisa de sairmos da zona de conforto e ultrapassarmos o que consideramos intransponível e sobretudo nos adequarmos às situações com uma postura e atitude de grande resiliência, sem dramas, com a convicção de que amanhã será sempre melhor. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Bloco de Esquerda, abram inscrições rapidamente! Habemus candidata!

Madalena - "Bem, nem imaginas! Os meus amigos levavam umas investigações sobre animais muita giras, com gatos, cães, tudo. Havia uns cá c'uns trabalhos, vai lá vai!"

Eu - "Trabalho?! Mas tu não fizeste esse trabalho!!"

Madalena - "Pois não... porque eu tenho o direito de brincar! Diz ali no livro dos direitos das crianças!!!"

Madalena, um doce bulldozer

Quando a fui buscar à catequese, a catequista recebeu-me com um grande sorriso (não é normal, acreditem!) fez-me saber que a Madalena lhe propôs doar o seu catecismo do 1º ano para alguma criança carenciada. A senhora estava enternecida "ela teve esta ideia sozinha, tão querida, tão solidária, nada egoísta!" e repetia o feito a todas as catequistas que passavam. Depois foi com ela doar o seu livro a uma catequista do 1º ano e ela lá vinha toda contente. Assim é a minha bulldozer, tanto de mula como de meiga! Amor grande da mamã a mostrar-me que o caminho faz-se caminhando e que não há certos nem errados, há o nosso, nosso caminho feito de muito amor!!

. . .

A minha mãe tem facebook, snapchat, whatsapp. Até aqui tudo bem, a senhora está reformada e tem de se manter actualizada. Agora, desancar-me porque eu não tenho chat activo e ela comprou coisas para os netos, quer-me mandar fotos e não consegue?!?! 

Portugueses q.b.

Uma marca portuguesa de roupa para criança com coisa giras, giras. Vais a estender a roupa e deparaste com a etiqueta "Desig in Portugal, Made in Bangladesh". Tanta pena que só apregoemos orgulho nacional quando se ganham jogos de futebol ou quando fazemos parte do ranking de turismo.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Concluo que os senhores GNR gostam de mim

Na semana passada à porta da escola da Madalena, um senhor guarda (chamar-lhe-ei agente, é que "senhor guarda" remete-me sempre para a canção do Emanuel) abordou-me porque estava a estacionar (a palavra é estava, porque ainda não tinha concluído a manobra) em segunda fila. Disse que compreendia a minha escolha de local para estacionar, que o trânsito ali era caótico, que ninguém respeitava as regras de segurança, mas que deveria ir para um terreno baldio anexo. Mas, como me via todos os dias e me sabia cumpridora, deu-me dois minutos para ir buscar a criança e voltar. Assim fiz, e lá estava ele à minha espera. Um amor!
Dois dias depois, outro agente, à porta da escola da Madalena, vem tem comigo a explicar-me que não podia ter o suporte do reboque montado que tinha de o recolher. Pedi imensa desculpa e garanti que iria contactar o meu técnico para a área automóvel (vulgo marido) para tratar imediatamente do assunto.
Hoje, um agente, à porta da escola da Madalena (prevê-se aqui um local privilegiado meninas casadoiras!) manda-me parar de forma muito entusiasta. Pensei cá para comigo "Minha nossa, querem ver que o pelotão anda doido?! Andam a apostar quem me faz a abordagem mais arrojada. Coisas fofas da mamãe!!" ... mas não, o senhor só estava a impedir que eu me enfiasse numa vala no dito terreno baldio. Meus queridos, cá comigo é assim: se vocês são para mim eu sou para vocês, amanhã vai um bolinho quentinho para essa esquadra (se calhar é melhor refrear os ânimos que o meu marido é capaz de não achar muita piada!)

Temo pela minha mãezinha

O meu pai vive irado por causa dos cabelos da minha mãe no carro ... 
Receio que a internet lhe dê ideias!


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Just be real

Temo ficar repetitiva, mas as vidinhas perfeitas incomodam-me pela irrealidade que representam. Por razões profissionais lido muito com o lado feio da vida que, claramente não serve de exemplo. Chegar a casa, passear-me pelos blogues à procura de alguma empatia e deparar-me com vidas tão certinhas deixa-me com a pulga atrás da orelha. Ele é os brunchs em sítios com nomes difíceis de pronunciar, os pequenos almoços meticulosos (que eu só conseguiria se levantasse o dito da cama lá para as cinco da manhã), as crianças sempre vestidinhas com folhos (mesmo em dias que só se vai marranzar no sofá), sofás limpos e imaculados (ainda que os putos estejam em cima deles com os sapatos calçados), os cães não se babam nem deitam pêlos (são só fonte de amor, coisas mais fofas), elas parem criancinhas e estão sempre em bom (já saem da maternidade com abdominais definidos), viajam muito com férias de três meses e as praias são passereles de brocados e florinhas, as refeições são finamente cuidadas e ninguém janta uma taça de cereais.
Por aqui vigora o despudor, a descontração e, vá-se a ver, a normalidade. Sim, grande parte da minha casa é branca: as paredes, os sofás, as colchas da cama, os lençóis,... e sim moro no campo e tenho grandes pancas com as limpezas e passo o tempo todo a disciplinar-me para não andar aos gritos "não me sujem as coisas!". Por aqui vive-se a casa, procrastina-se muito mas também se mete a mão na massa à bruta. Dizemos asneiras, rimos muito alto, ralhamos, choramos com ranho e tudo. Lambuzamo-nos, beijamo-nos, damos no gin com alma e passamos serões ao luar enroladinhos em mantas. Gozamos com o meu rabo à-la-kardashian, brincamos com tudo e mais um par de botas, vivemos alapados uns aos outros, abraçamo-nos e beijamo-nos muito mais do que o meu filho adolescente desejaria. Somos queridos, fofinhos e uns doidos de primeira. Tanto se veste folhos para a rua como o fato de treino manchado de lixívia para casa. Fazemos coreografias, cantamos e abadalhocamos as músicas que a Madalena ouve. Somos francamente alegres, optimistas, mas em dias de lado lunar saiam de cima. Por aqui não se é nem melhor nem pior que os outros...é-se real.


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Táxis, plataformas e a tacanhês cultural

Durante o dia fui-me indignando com o protesto dos taxistas. Seria bonito que todos trabalhassem em harmonia, sem olhar de soslaio para o vizinho, mas isto não é possível, não enquanto a tacanhês cultural não mudar. Os taxistas querem justiça. Não, os taxistas querem que as novas plataformas de transporte se eclipsem. Ponto final, acabou-se, dêem lá as voltas que derem, tudo espremidinho resume-se a isto. 
Não quero francamente tomar um pelo todo (há grandes e boas excepções), mas a cultura taxista no panorama do nosso país não é bonita, é rica em comentários de profundo mau gosto, com comportamentos longe de serem exemplares, das meninas virgens, aos carros carregados de minis, hoje deu para tudo. E mais do que as diferenças legais e fiscais entre empresas, foco-me nos princípios culturais e comportamentais implícitos.
Guardo do meu tempo de faculdade a memória de uma colega que recebia bolsa de estudo, tinha dificuldades económicas e essa bolsa era o garante da continuidade do seu percurso académico, até ao momento em que vamos a casa dela fazer um trabalho de grupo e constatamos que na moradia dela cabiam dois apartamentos dos meus pais. O pai era taxista e contornava a fiscalidade o mais possível, ele e os seus colegas utilizavam o mesmo modus operandi no que às finanças diz respeito e faziam gáudio disso. 
Esta cultura do contornar a lei era-lhes confortável, não havia concorrência e agora é do caraças. Por isso, mais do paz entre todos quero justiça, ou melhor, quero uma mudança de comportamento. Quero entrar num táxi que não cheire a tabaco, que o motorista respeite o meu silêncio, feche os botões da camisa, tire o palito da boca e não se saia com tiradas do género "então essa carinha laroca quer ir para aonde?!" (sim, já levei com isto!). Quero que possa haver oferta de produtos sem ter medo que se partam dentinhos só por existirem. 
Num Portugal cujo turismo ascende grandemente (graças a Deus!), preocupa-me que a primeira imagem que se tem do nosso país à chegada ao aeroporto seja a de uma pessoa que empurra ferozmente as nossas malas para dentro da bagageira, que nos grita para despacharmos e arranca ainda antes de eu ter posto o cito de segurança (e sim, também já me aconteceu!). A resistência à mudança é tremenda e toda esta guerra está longe de ter um fim à vista, porque a base do problema é cultural e está tão entranhada na pele que não lhe almejo alterações.

. . .

É dia 10 de Outubro, estão 25º e ainda não tive coragem de arrumar as toalhas de praia. Lá para Junho, quando a malta reclamar que nunca mais temos Verão lembrem-se que a dois meses do Natal ainda andamos de biquini.

(Post de quem está farta de ouvir pessoas a queixarem-se do tempo...independentemente de como ele esteja)

"Que horror mãe, tu és assistente social!"

Quando no sábado à noite estávamos todos na sala de estar, os miúdos a brincar e nós na cavaqueira, demos conta que passava na televisão uma reportagem da TVI "Love you mum". A jornalista Ana Leal, brilhante por sinal, retratava histórias do serviço social inglês pautado por muito pouco rigor e seriedade nos critérios e posturas adoptados no que à retirada de crianças a mães portuguesas diz respeito. Considerando que as histórias ali retratadas são fidedignas no aspecto de que só ouvimos uma versão e percebendo que cada vez se ouvem cada vez mais histórias iguais aquelas por parte de colegas que emigraram para Inglaterra e se deparam com autênticos negócios de adopção, dei comigo a enterrar-me lentamente no sofá completamente aterrada. Naquele momento só sentia vergonha da profissão que tenho e da classe que defendo.
Tal como a Marta (Dolce far Niente) fala no seu blog, também eu integrei durante tantos anos quantos os que a legislação permite, uma Comissão de Protecção de Menores, cheguei a presidi-la por tantos outros. Foi duro, desgastante ao ponto de ser psicossomático. Eu e os meus colegas garantíamos que, sob qualquer circunstância, salvaguardávamos a criança e o seu ambiente natural vida. Debatiamo-nos e, dos milhentos casos que me passaram pelas mãos, conto em poucas dezenas as crianças que institucionalizei, que retirei completamente do seu seio familiar. Com inibição de convívio com familiares, tive um! Fui inúmeras vezes a tribunal defender o superior interesse das crianças. Num casos consegui, noutros saí absolutamente frustrada. E, com tanto orgulho na nobreza de profissão que escolhi e, na certeza de que tudo fiz para proteger quem o Estado me confiava, naquele momento senti uma vergonha enorme quando a minha filha de sete anos olha para mim e diz "que horror mãe, tu és assistente social!" E nem acreditei quando me tive de justificar e explicar o inexplicável!
Enquanto mãe, a maior das solidariedades por todas as mães que vivem histórias de horror e se vêem privadas da maior e melhor profissão do mundo: ser mãe!

. . .

Concluo que cumpri com bastante sucesso a primeira parte da minha existência. Estou muito mais descansada! Ufa!!

sábado, 8 de outubro de 2016

Sobre a minha pessoa


Paparazzy à Batata

Tenho duas cadelas tão giras quanto pouco fotogénicas. Como se não bastasse esta incapacidade em sacar-lhes uma fotografia como deve de ser, sucede que as moças fogem como o diabo da cruz cada vez que lhes tento tirar uma foto. Hoje armei-me em paparazzy e das milhentas flashadas que mandei, consegui esta porque vencer a Batata pelo cansaço é muito fácil, já que é miúda dada a poucos esforços. A Ginja fugiu até à hora do jantar. 
Percebem porque é que eu digo que ela é a personificação do Pateta da Disney?! Os olhos mais engraçados de sempre! 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

05 de Outubro de 2016

Andei a assentar tijolo!
Isto sim, é um dia histórico!

(Trolha is my midlle name)

Cho-quei

Estou em choque ... há pessoas que me lêem! Pior, há pessoas que me lêem às 4,45h da matina! Pessoal, eu sofro de insónias e vocês? Estão a cumprir alguma espécie de penitência? Fizeram mal a alguém? Vá, vão lá para a caminha que isto não é nem o Santuário de Fátima nem o confessionário da Casa dos Segredos para expiarem os vossos pecados! Ide em paz, vá!

Porque nunca serei a mãe do Ruca

"Meninos, vamos embora! Temos de ir já para casa porque estou cheia de gases!"

(E sim, acredito em traumas infantis e que estes dois estão preparados para a vida!)

É um lavar de roupa suja!

Enquanto percorre por grande parte dos blogues anúncio ao Skip onde se promove a liberdade das criancinhas por via do contacto com a natureza, neste humilde espaço não há projecção suficiente para anúncios. Mas sim, a minha vida mais parece um comercial de um qualquer detergente para a roupa, e é simples se pensarmos que ... moramos no campo. Todos os dias a máquina de lavar roupa anda num virote, porque aqui em casa a única regra é: chegar a casa e mudar de roupa. Mal entramos em casa vestimos um fato de treino, uma roupa mais velha e confortável, porque as cadelas vão andar de volta de nós (e a Batata baba-se à grande), vamos à horta, ao jardim e ao galinheiro e ainda paramos nas obras que estão a acontecer. Vindos do exterior toma-se banhinho e pijama com eles, vai daí não stresso com a roupa que temos vestidos porque a casa existe para ser vivida. Mas isto tem um senão, a quantidade de roupa que diariamente tenho para lavar, engomar, arrumar, ... senhores, é de ter pena desta menina!! O que por aqui se dá no ferro não é brincadeira para meninos, é dar no aço assim na loucura. Haja piedade!