terça-feira, 2 de agosto de 2016

Vamos lá falar dos nossos filhos sem rodriguinhos

A Madalena é chata! É feio dizer, mas não há como escapar a esta triste realidade ... a minha filha de sete anos é chata comó caraças! Não é (ou melhor dizendo, já não é) de fazer birras, é bem educada, não faz amizades à primeira vista, precisa de ir apalpando terreno, é divertida, tem imenso sentido de humor, carinhosa, sensível e um rol de propriedades que lhe assistem e ... é chata! Portanto, estamos na fase do apertar as bochechas à mãe em pleno supermercado porque a mãe é fofinha e então fala-se com ela (a mãe) à bebé e faz-se muito cutchicutchi. Também se repetem temas até à exaustão, até o adulto não poder mais e desligar o botão, e é nessa altura que ela topa e diz "se calhar é melhor começar tudo de novo, porque se percebe claramente que não estás a ouvir nada do que estou a dizer!" grrrrrrr  Nesta fase (o modo de sobrevivência leva-me a acreditar piamente que é uma fase, coisinha passageira) questiona-se tudo, faz-se comentários sobre tudo, aponta-se o dedo a tudo, não se deixa escapar nada! Os actos dos outros são alvos de discussão, de debate, dignos de programa de televisão de debate político. As meias estão fora do sítio? A Madalena analisa, pesquisa, questiona e esmiúça a natureza do acto, depois o responsável, e por fim a consequência "vamos falar do motivo pelo qual as meias estavam fora do sítio?!".
Ontem à noite, mal me sentei no sofá ouvi um "agora vou-me sentar no colo desta mãe mais querida", soube tão bem, sentou-se, aninhou-se a mim e depois levantou-se para ir buscar um livro, voltou a sentar-se ao meu colo, mas entretanto a manta estava no outro sofá, levantou-se e foi buscá-la, volta novamente para o meu colo, mas entretanto lembrou-se que podia adormecer e não tinha lavado os dentes, foi, regressou, e reparou que tinha um nó no cabelo que precisava de ser desfeito!!! Depois de um dia de trabalho, das tarefas domésticas e de um rabo finalmente aterrado no sofá, cadê a paciência ... nem vê-la. Levou ralhete, mas pôs o ar de Calimero e tive de conversar com ela dentro do espírito do "bora lá ser uma pessoa menos chata para bem de todos nós em particular e da humanidade em geral". Ontem pareceu-me que a conversa tinha resultado, que a mensagem tinha sido absorvida e que havia esperança. Mas ontem eu também já estava cheia de sono e a visão da vida estava um bocado nublada. Deixa lá ver!

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