segunda-feira, 13 de junho de 2016

O momento em que a vida pára

A Madalena é doida pelo Agir! Tanto, que nos andava a moer o juízo para ir ver um concerto dele, e nós, mal soubemos que ele ia estar na Feira da Agricultura em Santarém, nem hesitámos. A confusão à entrada da Feira era tremenda, com adolescentes histéricas a atropelarem os imensos miúdos que por ali estavam. Uma parvoíce pegada!
Como vamos lá todos os anos, existem algumas pessoas dos stands de artesanato que já nos conhecem e sabe sempre bem os comentários aos nossos miúdos e o quanto nos acarinham. Fomos comprar umas botas de equitação para a Madalena (no stand a que vamos sempre) e, a dada altura senti um aperto no peito estúpido e estranho, olho para o lado e a Madalena não estava lá. Olho para junto do meu marido e ela não estava também. Pergunto à senhora se ela estava junto dela e ela responde-me que não... Aí, parou tudo! Tudo! Olhas para todo o lado, gritas em plenos pulmões pelo nome dela e não vês a tua filha. Gritei, deixei de ver, de ouvir, de pensar, de sentir, ... Senti-me num filme em câmara lenta engolida pelo ar. Morri! Garanto-vos que por segundos morri! 
A Madalena estava ao colo de uns amigos nossos que tinham passado por ali e nos viram, pegaram na Madalena ao colo e, quando nos iam cumprimentar, foram albaroados por uma excursão. Recuaram, e foi nesse momento que demos por falta da Madalena. O pânico foi tanto que, quando os vejo já o João, que entretanto também tinha cegado, se preparava para dar um murro no nosso amigo e todos choravam copiosamente por verem o nosso desespero e não conseguirem chegar a nós.
Quando os meus olhos bateram na Madalena cai redonda no chão. Cai, e ali fiquei. Chorei tanto, mas tanto agarrada à minha amiga que, entretanto já não se sabia bem qual das duas chorava mais.
Foi um infortúnio de coincidências parvas, mas que deixaram marcas.
E eu que sempre considerei o desaparecimento pior que a morte, volto a reiterar este meu pensamento. E, sem querer aprofundar este tema, porque ainda hoje tremo, presto a mais profunda das homenagens a todos os pais que já passaram por isto e que, com ou sem sucesso no reencontro, vivem com uma carga tamanha destas.

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