segunda-feira, 30 de junho de 2014

O meu coração inchou e tu nasceste

Eu não gosto de falar da morte. Cá em casa, onde a mesa é confidente, quando surge o assunto eu rapidamente sigo desvio. Não gosto. Acho que enquanto assim for, o destino não se lembra de mim e me poupa ao pior. A dor de uma mãe com a perda de um filho deixou-me em pânico, sem ar, sem chão.
O meu filho assistia a meu lado. Apertei-lhe a mão. Estava aterrorizada. E no meio do cataclismo de notícias, ele segreda-me ao ouvido:
-"Posso-te convidar para almoçarmos, amanhã?"
-"..."
-"Precisamos de um momento nosso. Só nós os dois."
-"..."
-"Eu pago!"
E eu soltei uma gargalhada.
A nossa vida tem sido assim. O riso por entre lágrimas. A felicidade de um sorriso mesmo em dias maus.
Tu, és garantidamente o filho que eu pedi a Deus. O filho concebido e gerado no coração. A quem desde pequeno ensinámos que há meninos tão especiais que não nascem das barrigas das mães, mas sim no coração. Tu, que nunca permitiste que me sentisse menos mãe. Tu, que me conheces pela respiração. Tu, hoje honraste a promessa e pagaste-me o almoço. E eu entrei no restaurante de coração inchado e cara à banda "caraças, isto é bom demais". Comemos, bebemos, conversámos e sobretudo fizemos o que fazemos de melhor: rimos. E no final, ao entrar para o carro ouvi um "sabes que mais? quando o avô me der dinheiro faço questão de sairmos juntos!" Que é como quem diz, o melhor dos elogios vindo de um adolescente. 
Obrigada pelo almoço. Obrigada pela forma como entraste no meu coração e o transformaste para sempre.
 "Para o infinito e mais além!"

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