terça-feira, 3 de junho de 2014

Balanço

Esta história do envenenamento das cadelas fez cair por terra a amabilidade de quem nos rodeia. Conseguimos perceber que comeram frango envenenado, mas de resto nada sabemos. A história ganhou efetivos contornos complicados, com o meu filho a encontrar a Bolota morta e a tentativa desesperada de salvar a Ginja que queimava por dentro. Foi duro. Duro mesmo. Somos o tipo de pessoa que valoriza o ser humano, seja ele racional ou irracional, tratando-os com o mesmo carinho e respeito. A perda é dura, ainda para mais associada a um acto de maldade gratuita. Não está a ser fácil, principalmente para os miúdos, esta coisa estranha de lidar com a morte. À Madalena explicámos que a Bolota já estava muito velhota e foi para o céu. Ao João tentamos que liberte a raiva e prossiga sem medo ou ressentimentos. É um miúdo cinco estrelas que levou um embate valente. Já nós, adultos, partilhamos em segredo o sobressalto, porque quem fez isto só deixará de o fazer quando for em sucedido.
A boa disposição vai-se instalando. Só assim nos faz sentido. A Ginja percebeu o prazer de estar doente (como diz o Dr. Eduardo Barroso) e vai ficando cada vez mais por casa, dorme, come, ressona, rebola, pede mimos, esquece-se dos seus anafados 40kgs e vai levando tudo à frente, principalmente a desgraçada da Mada que é literalmente esmagada por ela.
E mais uma vez a vida troca-nos as voltas e faz-nos perceber que somos tão mais fortes quanto mais unidos formos. E partilhamos o mantra de que a vida se resolve por ela própria. Ninguém disse que era fácil, mas como dizem os brasucas: bola pr'á frente que atrás vem gente!

1 comentário:

  1. Ainda incrédula com esta história...
    Um grande beijinho a essa família espectacular! ;)

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