segunda-feira, 14 de abril de 2014

A casa dos pais

A casa dos meus pais já não é o que era. Da memória de infância resta-me o prédio antigo e o cheiro das escadas. Os meus pais vivem lá à cerca de 40 anos e, numa casa com esta idade as remodelações foram tantas que já nada sobrou da minha meninice (olhá piroseira!). Desde o chão, às paredes, às portas e tectos, móveis e adereços,... não resta nada, sob o alto patrocínio da minha mãe que não deixa escapar um mês sem que um móvel mude de lugar. A vizinhança também não escapou à mudança. Agora são os filhos que arrendam casas a pessoas estranhas e de aspecto duvidoso. Agora não são permitidos animais, porque os novos arrendatários se esticaram à grande e obrigaram a novas medidas. As reuniões de condomínio são azedas e indispostas, com meio mundo a fazer queixa do outro meio. São denúncias à autarquia de uma obra que se fez e da pergola que se montou. A polícia também anda no meio do baile, ora por causa da roupa que se estende, ora por causa do barulho. E gerir isto não é fácil, sobretudo para os meus pais que acompanham estes dramas diariamente e só queriam sopas e descanso. E eu, no alto da lamechice sinto-me perdida sem sentir identificação com o local onde fui tão feliz.

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