segunda-feira, 22 de julho de 2013

O dia do nosso casamento

Sábado, 22 de Julho:

Cabeleireiro:  o meu cabeleireiro da altura, tinha tanto de génio como de temperamental. Fui com duas amigas, uma delas gravidíssima e com um humor de cão e que estava constantemente a mudar de opinião sobre o penteado que queria (liso, depois apanhado, depois liso outra vez, folheiava revista atrás de revista, é este, não pensando melhor é aquele!). O cabeleireiro bufava, repetia vezes sem conta que não se admitia que a noiva ficasse à espera, que este dia era da noiva, que não se admitia haver gente temperamental, quando o dia era da noiva,...  À saída do cabeleireiro, sai-me um "para a próxima venho de carro sozinha!" (para a próxima???)
A ida para a igreja: à saída da portagem enfiámo-nos atrás de uma fila de carros achando que eram os nossos convidados, e só demos conta que não eram, quando olhámos e vemos outra noiva! Depois, os acessos à igreja estavam cortados, todas as estradas que nós conhecíamos estavam cortadas e com placas de desvio que se sucediam e desembocavam em terras de ninguém. Ora, eu casei em Alenquer, terra que nenhum dos convivas conhecia bem (mas ficaram a conhecer naquele dia), demos tanta volta que os GPS estavam baralhados. Então, estivemos o tempo todo a entrar e a sair de uma aldeia chamada Perna de Pau, onde se lia constantemente "Bem-Vindos a Perna de Pau"... "Perna de Pau saúda-vos".... "Bem-Vindos a Perna de Pau"... "Perna de Pau saúda-vos". Caminhos de cabras? Mais que muitos! Malta a parar e a sair dos carros fulos da vida? Outro tanto! Nisto, o meu paizinho ameaçava mordidelas à malta da obra!
Enquanto isto, os convidados do noivo desistiram de esperar na igreja e rumaram em peregrinação até à tasca mais próxima,... padre incluído! A dada altura, este chama o João à parte e pergunta-lhe: "João, tem mesmo a certeza que a Sónia vem? Se calhar é melhor conversarmos. Estas demoras costumam ser mau sinal!" A partir daqui, foi o João quem acalmava o padre.
A chegada à igreja: tudo a apitar para os convidados saírem da taberna! Ainda hoje acredito que alguns não saíram de lá! Eu, só ria (os nervos dão-me para isto), parecia um pinguim a andar com uma vontade incontrolável de fazer xixi!
Copo de água: havíamos feito, com bastante antecedência, uma prova de comida para, precisamente, escolhermos o menu. Fizemos uma lista do que queríamos. Alguém deve ter trocado a lista, e aquilo que não queríamos... foi o que nos calhou! O bolo de casamento estava um horror (ainda hoje censuro as fotos) feio que benzó-Deus. Um bolo de batizado com um erro ortográfico daqueles! Um namorado de uma prima (ex-namorado, com a graça de Deus) que só perguntava onde havia batatas fritas, porque lhe apetecia as ditas! Um convidado vegetariano que penou as passinhas para lhe trazerem comida. Um tio (com maus fígados) que se lembrou de evocar os podres da família. Uns amigos, para lá de bem dispostos, que sempre que o senhor falava eles cantavam. Um animador para as crianças esbaforido, que ia lançando farpas à educação das criancinhas,....
Noite de Núpcias: o João decidiu primar pela originalidade e não me disse onde iriamos passar a noite. Quando dou conta, estamos no Moinho da Senta (giro que se farta!) mas com portas estreitas, logo, o rodado do vestido não cabia... logo, tive de me despir na rua para poder entrar.

 
~~ E sabem que mais? Repetia este dia, exactamente da mesma maneira! ~~

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