sexta-feira, 17 de maio de 2013

A chucha

Não sou fundamentalista. Com nada. Com nenhuma matéria. A idade vai-nos ensinando destas coisas. Não se cospe para o ar. Todos temos telhados de vidro.
E por não ser fundamentalista, confesso alguma aversão a quem o é, a quem tem opinião muito própria e vincada sobre tudo, aos sabichões donos da verdade absoluta.
Enquanto profissional, passo os dias a dizer aos pais para respeitarem o ritmo normal de cada criança. Lamentavelmente, muitos poucos são os pais que o fazem. Não discuto motivos. Não sei se por convicção, se por teimosia, se pela tirana rotina da vida. A verdade é que muitos poucos são os que escutam o ritmo normal do seu filho. E atenção, não confundir com limites ou regras. Falo de ritmos e predisposições biológicas.
"Só vale comprar uma guerra que sabemos à partida que a vamos vencer" - sou famosa por esta frase.
A retirada da chucha é um desses momentos. Primeiro, espetamos-lhes com ela na goela para os acalmar-mos e volvidos dois anos de vida queremos que a larguem, porque os livros, os pediatras e os dentistas assim o dizem. Não os contrario, até porque existem imensas teorias que fundamentam os benefícios da retirada da chucha. Mas reconheçam comigo a agressividade do acto. Algum dia terá de ser, sim?! Mas quando? Quando tiver de ser, e não porque o amiguinho do lado já não usa ou porque a avózinha não pára de melgar. Com negociações pacíficas e conversas esclarecedoras, adequadas à idade deles.
A Madalena ainda usa chucha para dormir, para grande escândalo de algumas mãezinhas do colégio dela. So what?! Vai usar chucha na faculdade? Não, pois não? Estou a ser demasiado liberal?...  agastemo-nos em matérias bem mais importantes.
Sejam felizes!

1 comentário:

  1. Nem mais!! Sou famosa pela frase: "Não se preocupem com a chucha que eu pago o aparelho à criança!" :)

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