terça-feira, 30 de abril de 2013

Da graçola à tirania

A Madalena é da família do elástico... gosta de se esticar! Só que tem azar que o nosso pavio é curto.
Lá se vai safando porque é uma espertalhona de primeira, tem imensa piada, tem uma cara que ajuda imenso a compor o figurino, mas o facto é que quando a graçola ultrapassa os limites do razoável, a coisa azeda. Acho imensa piada a crianças com humor inteligente, que é o caso, mas nunca a crianças insolentes e mal educadas. Não gosto nos outros, não o permitirei dentro da minha casa.
Costuma-se dizer "casa de ferreiro, espeto de pau", isto porque trabalho com crianças e seus pais, juntos definimos estratégias educacionais que têm de ser exequíveis, não podem ser bonitinhas só para ficar bem no papel. E para isso, vou buscar muito do que faço em casa.
O João sempre foi muito assertivo. Quando as coisas desalinhavam, bastava abrirmos-lhe os olhos, ficar a sós com ele e conversar, para que as coisas fluíssem naturalmente.
Com a Madalena não. É um medir forças constante. Claramente que percebemos o jogo e não lhe damos esse gosto porque a figura de autoridade somos nós, mas ao fim de um dia de trabalho nem sempre é fácil lembrarmo-nos da teoria e seguirmos "by the book".
Ontem foi um dia do Demo. Fui buscá-la ao colégio e dispara um: "Vai-te embora, não quero ir para casa, quero brincar, não te quero aqui!" Nesta altura, eu ainda esta embutida do espírito de mãe do Ruca e pensei "Tem calma, as outras mães estão a olhar para ti. A roupa suja lava-se em casa. Vou ter de sair daqui de fininho sem dar estrilho porque ela está a dar espectáculo". Pois que fez birra porque lhe vesti o casaco, porque abri a porta da sala e ela queria abrir, porque queria sentar-se sozinha na cadeira do carro, porque o trânsito estava cortado e tivemos que fazer um desvio e ela queria ir pelo caminho do costume. Depois foi o banho, e o jantar, e levantou-se da mesa porque teimou em comer a sobremesa na sala até que partiu a taça onde tinha a fruta. CHEGA. CHEGA. CHEGA. Ficou de castigo, chorou imenso, nunca nos tinha visto tão irritados, percebeu que havíamos chegado ao nosso limite, pediu desculpa, pediu abraços,...
Como diz o meu muito querido Mário Cordeiro, as crianças precisam de sentir frustração e de conhecer situações limites, deles e dos outros. Custa, dói, mas faz parte do processo de crescimento. Isto se queremos que sejam boas pessoas e não pequenos tiranos.

4 comentários:

  1. Pois, às vesesx tem mesmo de ser!!

    Hoje vou ouvi-lo, ao Mário Cordeiro! Vou entranhar cada palavra daquele homem! Ah pois vou!

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    1. Eu organizei uma palestra com ele e fiquei cidrada. Absorve que nem esponja. Vais adorar. Beijinho.

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  2. Essa história é-me familiar. Calha a todos! :) Foi um dia que lhes correu pior na escola. Pensa assim ;)

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  3. Ahhh. E acabei de vir de um encontro onde ele falou sobre birras. Ao que parece, é bom sinal que eles façam birra. Só temos de os ensinar a fazê-las :P

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